Wizold: Crônica de Lumni e Luna

Crônica de Lumni e Luna

Dois se encontraram numa noite de lua cheia e desceram a serra sendo outra coisa. A matilha que eles começaram ainda caça, e a lua que decide o preço de cada noite é a que está no céu agora, lá fora.

Lumni

O que soltou primeiro

Luna

A que soube segurar

I. O encontro

Toda história que importa começa com alguém esperando no escuro. Luna subiu ao alto do campo quando o vilarejo ainda rezava, e ficou entre o capim alto contando os próprios batimentos. Lumni veio depois, devagar pela trilha, trazendo na boca uma frase ensaiada que o vento levou antes da hora. Ela riu, e o riso resolveu o que a frase não resolveria. Ficaram ombro com ombro, falando baixo de coisas pequenas, porque a grande não cabia em palavra nenhuma. Foi ela quem viu primeiro: a lua tinha subido inteira atrás da serra, branca demais, perto demais, olhando os dois como quem reconhece uma dívida antiga.

II. A virada

A dor veio nos dois ao mesmo tempo, e é essa a parte que o vilarejo nunca aceitou. Não houve mordida, nem maldição comprada em feira: havia o sangue antigo que os dois carregavam desde o berço, esperando uma lua cheia para lembrar o que era. Lumni soltou primeiro. Os ossos viraram, a voz virou uivo, e a fera partiu campo adentro sem esperar por nome. Luna segurou a sua o bastante para vê-lo sumir; então entendeu que segurar também é escolher, e soltou, para que ele não atravessasse a primeira noite sozinho. No escuro, reconheceram-se pelo cheiro, que seguia sendo o mesmo de antes.

III. A escolha

Podiam ter descido a serra em direções opostas e nunca mais se olhado. Era o que a prudência mandava, e no vilarejo a prudência tem nome de fé. Ficaram. Caçaram juntos até o céu clarear, e o corpo voltou ao que era: sujo, tremendo e de mãos dadas. Daquela noite saíram as primeiras leis, ditas baixinho antes do primeiro galo: esconder a roupa rasgada, mentir bem para quem pergunta pouco, e contar os dias pela lua, nunca pelo calendário do padre, porque só ela sabia quando os dois poderiam ser inteiros de novo.

IV. A matilha

Depois vieram outros, como sempre vêm. Uns nascidos assim, sem entender por que a lua cheia dói; outros com a marca ainda fresca e ninguém para explicar. Chegavam com medo de si mesmos, e era Luna quem abria a porta. Ela ensinava a segurar a fera até a hora certa; Lumni ensinava que a hora certa existe, e que toda noite de caça ela chega. A matilha que hoje enche a taverna começou ali, no alto do campo, com dois que só queriam conversar. A lua ainda sobe. Ainda cobra. E ninguém, em noite nenhuma, caça sozinho.

O que espera lá fora

Cem criaturas divididas em dez áreas, da primeira presa do campo ao que mora no abismo.

O lobo que anda junto

Ninguém caça sozinho. Duas linhagens chegaram à matilha, cada uma do seu jeito.

O que fica na frente

O primeiro veio sozinho, sem coleira e sem dono, e sentou na entrada do cercado como quem espera há muito tempo. Peito largo, passo pesado, olhos que não desviavam. Naquela noite a fera desceu ao campo e ele foi junto, sem rosnar e sem recuar: pôs o corpo entre o caçador e a criatura, e levou a primeira investida no lugar do ombro que devia levá-la. Amanheceu sujo, respirando fundo, vivo. Desde então a matilha entende o acordo. Ele não persegue o rastro nem escolhe a presa. Ele fica na frente, e ficar na frente já é a parte mais difícil da noite.

A que acha o rastro

A outra ninguém viu chegar, e é justamente esse o ponto. Magra, silenciosa, sempre três passos adiante, achava o rastro antes de o caçador saber que havia rastro. Farejava o vento, parava, esperava a fera alcançá-la, e seguia de novo. Contam que numa noite de lua nova, quando nem Lumni enxergava a trilha, foi ela quem abriu caminho no escuro e trouxe a matilha inteira de volta ao campo. Não briga por espaço e não pede nada. Anda na frente porque é de lá que se vê primeiro, e volta sempre, porque escolheu de quem quer estar perto.

Por dentro do jogo

Sete telas da mesma noite, do jeito que elas aparecem no navegador.

PersonagemCaçaTreinoMercadoForjaArenaTaverna

Personagem

A ficha inteira, sem número escondido

Atributos, forma, lobo e combate na mesma tela, com a origem de cada ponto separada: treino, equipamento, mascote, lua e fúria.

O que a noite pede

Tudo roda sozinho enquanto você olha, e nada sobe sem você mandar.

Caçar

Seis territórios que abrem conforme você sobe, e presas que crescem junto: a caçada nunca fica banal e nunca fica de graça.

Treinar

Cinco atributos, um exercício para cada e nada que suba sozinho. O nível abre portas, mas quem bate mais forte é quem treinou.

Forjar

Desça na mina por fragmentos e bata na peça que já está no corpo, de mais um em diante, até onde o bronze aguentar.

A matilha

Taverna com mesas reservadas, um quadro com os melhores de cada número e um fosso onde dois lobisomens resolvem no braço.

Escolha um nome, escolha uma linhagem e desça. A primeira noite é a mais barata que você vai ter.

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